Duas notícias recentes envolvendo atrações conhecidas nos Estados Unidos podem provocar uma impressão um tanto preocupante quando colocadas lado a lado.
A Old Town, em Kissimmee, acaba de ser vendida por cerca de US$ 24,5 milhões. Pouco antes, o Fun Spot America Atlanta encerrou definitivamente suas atividades e agora está leiloando praticamente tudo o que restou no parque.
Para completar a coincidência, Fun Spot e Old Town estão quase lado a lado em Kissimmee.
Então é inevitável a pergunta: alguma coisa está acontecendo com essas atrações menores da região? A Old Town corre risco de fechar? O problema de Atlanta poderia chegar aos parques do Fun Spot na Flórida?
A resposta curta, pelo que sabemos até agora, é: não há indicação de fechamento da Old Town nem dos Fun Spot de Orlando e Kissimmee.
Mas as duas notícias são interessantes justamente porque mostram os bastidores de um pedaço do turismo da Flórida Central que costuma receber muito menos atenção do que Disney e Universal.
E é aí que esta história fica mais interessante para quem viaja — e também para quem mora na região.
Primeiro: a Old Town Kissimmee foi vendida. Mas ela não vai fechar
A notícia mais recente envolve um endereço bastante conhecido de quem circula pela região da US-192.
A Old Town foi adquirida por Todd e Radha Rambilas, da R-S Equity Services, em uma negociação de aproximadamente US$ 24,5 milhões concluída em setembro de 2026. A transação envolve cerca de 23 acres e grande parte do distrito de entretenimento.
E aqui está a informação mais importante para quem já começou a imaginar tratores chegando ao local:
não existe anúncio de fechamento da Old Town.
Muito pelo contrário.
Os novos proprietários afirmaram publicamente que pretendem investir no complexo, melhorar áreas comuns, renovar espaços e trazer novas experiências e negócios, mas preservando justamente o caráter nostálgico que diferencia a Old Town.
Ou seja: até o momento, a notícia é muito mais sobre renovação do que sobre encerramento.
Para quem nunca foi: afinal, o que é a Old Town?
Talvez parte dos brasileiros passe várias vezes pela região sem perceber exatamente o que existe ali.
A Old Town fica na 5770 W. Irlo Bronson Memorial Highway, em Kissimmee, e existe desde 1986. Em vez de funcionar como um parque temático convencional, ela foi concebida como uma espécie de pequena cidade americana de outra época, com ruas de tijolos, fachadas retrô, lojas, restaurantes, bares e entretenimento.

O complexo reúne dezenas de estabelecimentos e ficou especialmente conhecido pelos encontros e desfiles de carros clássicos. Uma grande reforma concluída em 2019 também trouxe a roda-gigante de 86 pés — cerca de 26 metros — que hoje faz parte da paisagem do local.
E existe um detalhe importante: entrar e caminhar pela Old Town é diferente de comprar um ingresso para um parque temático tradicional.
Você pode passear pelas ruas, conhecer lojas, assistir a determinados eventos e decidir onde gastar.
É justamente isso que faz da Old Town uma alternativa interessante para uma noite sem Disney ou Universal — principalmente para quem está hospedado em Kissimmee.
No Jornada, inclusive, ela já aparece no nosso guia de passeios próximos a Orlando.
E o Fun Spot Kissimmee? Ele fica praticamente dentro da Old Town?
Essa proximidade pode gerar uma confusão importante agora que a Old Town foi vendida.
Old Town e Fun Spot America Kissimmee são atrações distintas, embora estejam imediatamente conectadas na mesma região turística e, para o visitante, a experiência possa até parecer parte de um único grande complexo.
O Fun Spot Kissimmee fica na 2850 Florida Plaza Boulevard, enquanto a Old Town está na W. Irlo Bronson Memorial Highway.
Isso significa que a venda da Old Town não equivale à venda do Fun Spot America.
São negócios diferentes.
E essa distinção fica ainda mais importante diante da outra notícia que surgiu nas últimas semanas.
Fun Spot America Atlanta realmente fechou
O Fun Spot America Atlanta, localizado em Fayetteville, na Geórgia, teve seu último dia de funcionamento em 2 de agosto de 2026. A empresa havia anunciado a decisão em junho.
O parque não nasceu como Fun Spot.
A propriedade funcionava havia décadas e passou por diferentes nomes antes de ser adquirida pela Fun Spot America em 2017, tornando-se a primeira expansão da empresa fora da Flórida.
Nos últimos anos, ganhou bastante visibilidade entre fãs de montanhas-russas principalmente por causa da ArieForce One, uma montanha-russa da Rocky Mountain Construction inaugurada em 2023.
Mesmo assim, isso não foi suficiente.
O CEO John Arie Jr. explicou à imprensa local que a unidade sofria com baixa frequência de visitantes e que mantê-la aberta deixou de fazer sentido comercialmente.
Esse detalhe é essencial para entender o que aconteceu.
Não foi anunciado que a Fun Spot America inteira estava encerrando suas operações. O problema estava relacionado especificamente ao desempenho da unidade da Geórgia.

Agora até os brinquedos do Fun Spot Atlanta estão sendo leiloados
Quem imaginava que talvez o parque pudesse ser reaberto recebeu neste mês um sinal bastante definitivo.
Começou uma liquidação dos ativos do antigo Fun Spot Atlanta.
O leilão online começou em setembro e termina em 14 de outubro de 2026, reunindo atrações, karts, jogos de arcade, equipamentos de restaurantes e concessões, equipamentos de manutenção e até itens de infraestrutura do parque.
Ou seja, não estamos falando apenas de algumas atrações sendo retiradas.
É efetivamente o desmonte daquela operação.
Mas há uma exceção curiosa — e enorme.
A ArieForce One não está no leilão. Segundo informações divulgadas neste mês, a montanha-russa foi adquirida pela Six Flags e deverá ser transferida para outro parque da companhia, com reabertura prevista para 2028 ou 2029.
Para os fãs de montanhas-russas, portanto, a atração aparentemente não desaparecerá. Ela simplesmente terá outra casa.
Mas o Fun Spot de Atlanta tem relação com os parques de Orlando?
Tem. E muita.
Não se trata apenas de parques diferentes usando o mesmo nome por meio de franquias independentes.
A Fun Spot America é uma empresa familiar fundada por John Arie Sr., cuja história na Flórida começou décadas atrás. A marca abriu seu parque de Orlando em 1997 e posteriormente ampliou suas operações em Kissimmee. A expansão para Atlanta aconteceu em 2017, quando a empresa adquiriu o antigo Fun Junction USA.
Portanto, Orlando, Kissimmee e Atlanta pertenciam à mesma operação Fun Spot America.
E isso naturalmente nos leva à pergunta que provavelmente interessa mais a quem está com viagem marcada.
Se Atlanta fechou, o Fun Spot Orlando também pode fechar?
Até agora, não existe qualquer anúncio indicando isso.
Na verdade, ao comunicar o encerramento da unidade de Atlanta, a própria Fun Spot fez questão de informar que seus dois parques da Flórida continuariam funcionando.
O site que antes atendia a unidade de Atlanta hoje exibe uma mensagem de despedida e direciona os visitantes justamente para Orlando e Kissimmee. Passes anuais e gift cards elegíveis também continuam sendo aceitos nas duas unidades da Flórida conforme seus respectivos termos.
Portanto, não seria correto interpretar o fechamento de Atlanta como evidência de que Orlando será o próximo.
São mercados muito diferentes.
E essa diferença talvez seja a parte mais importante dessa história.
Atlanta não é Orlando — e isso faz muita diferença
Uma atração pode ser excelente e, ainda assim, estar no lugar errado para o modelo de negócio que pretende sustentar.
Orlando recebe um fluxo turístico gigantesco formado por pessoas que já chegam à cidade procurando entretenimento.
E atrações como Fun Spot ocupam um espaço peculiar nesse mercado.
Elas não precisam necessariamente convencer alguém a viajar para Orlando exclusivamente para conhecê-las. Podem disputar algumas horas dentro de uma viagem que já está acontecendo.
O turista passa pela International Drive, termina um dia mais cedo, procura alguma coisa para fazer à noite ou quer um programa mais simples fora dos grandes complexos.
E encontra o Fun Spot.
Em Kissimmee, a combinação com Old Town reforça ainda mais essa lógica.
O visitante pode jantar, passear pelas lojas, assistir ao desfile de carros e incluir algumas atrações do Fun Spot na mesma saída.
Atlanta não contava com exatamente o mesmo ecossistema turístico.
Tanto que o próprio CEO reconheceu que nem mesmo uma montanha-russa bastante elogiada como a ArieForce One conseguiu gerar a frequência necessária para sustentar aquela operação.
Isso não significa que os parques da Flórida estejam imunes a dificuldades econômicas. Nenhuma empresa está.
Significa apenas que não podemos pegar o desempenho de uma unidade em Fayetteville e simplesmente transferi-lo para Orlando.

Na verdade, o fechamento de Atlanta pode até concentrar a Fun Spot na Flórida
Existe ainda outra maneira de observar essa decisão.
Com Atlanta fora da operação, a Fun Spot volta a ficar concentrada justamente no mercado onde construiu sua história: a Flórida Central.
Hoje permanecem duas unidades:
Fun Spot America Orlando5700 Fun Spot Way, próximo à International Drive e à região da Universal.
Fun Spot America Kissimmee2850 Florida Plaza Blvd., ao lado da Old Town e no corredor turístico da US-192.
Para quem nunca visitou, o Fun Spot ocupa uma categoria bastante diferente de Disney, Universal ou SeaWorld.
Há montanhas-russas, karts em pistas de vários níveis, atrações infantis e brinquedos radicais, mas a proposta lembra mais aqueles parques de diversão americanos tradicionais.
No Fun Spot Orlando, por exemplo, fica a White Lightning, montanha-russa de madeira, além do conhecido SkyCoaster e das pistas de kart.
Já falamos mais sobre ele no nosso guia de atrações de Orlando fora dos grandes parques.
As duas notícias juntas contam uma história curiosa sobre Kissimmee
É aqui que considero as duas notícias mais interessantes quando vistas lado a lado.
De um lado, uma empresa encerra uma operação de entretenimento que não conseguiu atrair público suficiente na Geórgia.
Do outro, investidores locais desembolsam aproximadamente US$ 24,5 milhões para adquirir um tradicional distrito de entretenimento justamente em Kissimmee — e anunciam planos de investir nele.
São movimentos quase opostos.
E eles ajudam a lembrar que o turismo da região não se resume aos grandes resorts.
Existe toda uma economia formada por restaurantes, pequenos parques, lojas independentes, atrações familiares, dinner shows, entretenimento noturno e negócios que dependem justamente daquele turista que reserva algumas horas do roteiro para sair da bolha Disney/Universal.
A região da US-192 é um bom exemplo disso.
Quem percorre Kissimmee encontra restaurantes temáticos, lojas, hotéis, atrações e uma paisagem turística bastante diferente da região da International Drive.
Aliás, várias opções dessa região aparecem no nosso guia de restaurantes temáticos de Orlando e Kissimmee.
O que pode mudar na Old Town daqui para frente?
Aqui precisamos separar o que foi anunciado daquilo que seria apenas especulação.
Os novos proprietários disseram que pretendem:
- melhorar áreas comuns;
- renovar espaços existentes;
- introduzir novas experiências;
- atrair novos negócios;
- preservar as tradições e o caráter nostálgico da Old Town. Não foram anunciados, até agora, planos detalhados dizendo exatamente quais lojas chegarão, quais espaços serão modificados ou quanto será investido em reformas.

Também não há anúncio de que os tradicionais encontros de carros serão encerrados. As informações divulgadas até agora apontam justamente para continuidade das tradições do complexo.
Então eu teria cuidado com qualquer afirmação de que a Old Town será “transformada”, “demolida” ou deixará de existir como conhecemos.
Não há evidência disso neste momento.
O que existe é uma mudança de proprietário acompanhada de uma promessa de modernização.
E, pessoalmente, acho que aí está o desafio mais interessante para os novos donos: melhorar a Old Town sem tirar justamente aquilo que faz dela Old Town.
Porque modernizar demais também pode ser um problema
A Old Town não compete com Disney Springs tentando ser Disney Springs.
Nem deveria.
Parte do charme do lugar está justamente naquela sensação ligeiramente kitsch, americana e nostálgica. Nos carros antigos. Nas fachadas. Nas lojinhas. Na roda-gigante. Na possibilidade de simplesmente andar sem precisar entrar em mais um grande complexo planejado nos mínimos detalhes.
Tentar sofisticá-la demais poderia apagar justamente seu diferencial.
Por outro lado, um complexo com quatro décadas de história naturalmente precisa continuar se renovando para não virar apenas uma lembrança do turismo de outra época.
Esse equilíbrio entre nostalgia e atualização provavelmente será o ponto mais interessante para observar nos próximos anos.
E há sinais de que a região continua atraindo negócios. Em 2026, por exemplo, o Hamburger Mary's anunciou sua mudança para um espaço na Old Town.
Ou seja: a fotografia atual não é de abandono.
É de transição.
E o que tudo isso muda para quem vai viajar para Orlando agora?
Por enquanto, muito pouco.
Se sua viagem está marcada e a Old Town estava no roteiro, não há motivo conhecido para retirá-la por causa da venda.
Se pretendia visitar Fun Spot Orlando ou Kissimmee, o fechamento de Atlanta também não altera esse planejamento neste momento.
Os dois parques da Flórida continuam sendo divulgados e operados normalmente pela empresa.
O que muda é aquilo que vale acompanhar daqui para frente.
Na Old Town, novas lojas, atrações, reformas e mudanças nas áreas comuns podem começar a aparecer à medida que os novos proprietários colocarem seus planos em prática.
No Fun Spot, será interessante observar se o encerramento da expansão para Atlanta fará a empresa concentrar investimentos nas duas propriedades da Flórida.
Mas qualquer conclusão além disso, neste momento, seria especulação.
Então essas notícias são ruins para o turismo de Orlando?
Eu não colocaria dessa forma.
O fechamento de qualquer parque representa perda de empregos e de uma opção de lazer para a comunidade onde ele funcionava — e, nesse sentido, o encerramento do Fun Spot Atlanta é obviamente relevante para Fayetteville.
Mas não há evidência de que estejamos vendo uma retração equivalente da marca na Flórida.
Já a venda da Old Town pode representar justamente o contrário: capital novo entrando em uma atração com 40 anos de história.
Talvez o ponto mais interessante das duas histórias seja outro.
Orlando está acostumada a nos fazer olhar para investimentos bilionários — novos parques, hotéis gigantescos e atrações tecnológicas. Só que existe uma camada muito menor e menos glamourosa do turismo local que também precisa continuar se reinventando.
É onde entram lugares como Old Town e Fun Spot.
Eles dificilmente serão a razão principal para um brasileiro comprar uma passagem para Orlando.
Mas podem ser exatamente aquilo que transforma uma noite que estava vazia no roteiro em um programa diferente.
E talvez seja justamente por isso que vale acompanhar o que acontecerá com eles.
Eu mudaria meu roteiro por causa dessas notícias?
Não.
Se tivesse uma viagem marcada para os próximos meses, manteria tanto Old Town quanto Fun Spot entre as possibilidades.
Principalmente Old Town + Fun Spot Kissimmee juntos.
A proximidade permite montar uma noite diferente sem transformar o passeio em mais um dia inteiro de parque. Dá para caminhar pela Old Town, ver os carros caso a programação coincida com sua visita, jantar pela região e decidir quanto tempo dedicar às atrações.
Para quem está fazendo uma primeira viagem de poucos dias e precisa escolher entre isso e Disney/Universal, naturalmente estamos falando de prioridades completamente diferentes.
Mas para quem já conhece os grandes parques, está hospedado em Kissimmee, viaja por mais dias ou simplesmente quer conhecer uma Orlando menos óbvia, essa região merece ser lembrada.
E, curiosamente, as duas notícias que poderiam soar como sinal de alerta talvez acabem contando uma história diferente.
Um Fun Spot fechou, sim. Mas foi o de Atlanta.
A Old Town foi vendida, sim. Mas os novos proprietários dizem que querem investir nela, não fechá-la.
Agora o que vale observar não é exatamente quem vai desaparecer.
É como essas atrações menores vão se adaptar a uma região turística que continua mudando ao redor delas.
E essa talvez seja uma história muito mais interessante.

